Atenção na gestão de resíduos gerados nas oficinas

Pensar em uma correta gestão dos resíduos gerados nas oficinas é, além de tudo, pensar no mundo em que vivemos. O que pretendemos deixar para os nossos filhos?

A resposta está diretamente ligada à mudança de comportamento que nós, proprietários de oficinas, temos que ter nos dias de hoje. Queremos, através de nossos exemplos, mostrar aos nossos filhos e funcionários que preocupamos com o meio ambiente e por isso vamos mudar nossos hábitos dentro da oficina? Ou vamos “chutar o balde” e deixar que nossos filhos pensem nisso quando eles forem mais velhos? Será que o mundo em que vivemos vai dar alguma oportunidade para as próximas gerações em relação ao meio ambiente?

Para responder estas perguntas vamos precisar responder outras que estão diretamente ligadas ao real interesse em querer mudar nosso comportamento em relação ao meio ambiente.

Como sua oficina faz o descarte dos resíduos?

Existe um controle efetivo e regular (manutenção documentada), realizado por empresas especializadas, da rede de ar comprido e do compressor? O descarte de vidros é realizado por uma empresa especializada? Os panos de limpeza são laváveis (reutilizáveis)?

O descarte dos pneus é realizado por empresas autorizadas? Existe uma armazenagem de chumbos (balanceamento de rodas) e o descarte é realizado por empresas especializadas? Sua oficina faz o descarte adequado do líquido de arrefecimento e a reposição é feita com produto biodegradável?

Como sua oficina faz a armazenagem de filtros de ar, de óleo e combustível? O recolhimento é feito por empresas especializadas? O descarte de pastilhas, lonas de freio é realizado por empresas autorizadas? Existe descarte correto das lâmpadas, conforme a legislação vigente?

E os requisitos legais?

Além destas questões ainda precisamos verificar se as oficinas possuem os requisitos legais de:

  • Alvará de funcionamento
  • Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB)
  • Licença de Operação Ambiental
  • Certificado de Dispensa Ambiental
  • Coleta seletiva de resíduos (papel, plástico, metal, vidros, materiais orgânicos)
  • Descarte de produtos contaminantes (óleos, fluídos, bateria, chumbo, lâmpadas) estão destinados a empresas especializadas e certificadas

Para fazer a gestão de resíduos

É importante lembrar que cada estado tem uma legislação própria, por isso é necessário dedicarmos parte do nosso tempo para ler e entender como a legislação ambiental afeta a oficina. Se pensarmos em, Pernambuco, por exemplo, o Plano Estadual de Resíduos Sólidos foi desenvolvido de acordo com as diretrizes estabelecidas na Lei N° 12.305/2010 (Política Nacional de Resíduos Sólidos) e na Lei N° 14.236/2010 (Política Estadual de Resíduos Sólidos), com o objetivo de relacionar a situação atual dos resíduos sólidos no estado de Pernambuco e desenvolver diretrizes, estratégias, metas, programas e projetos, capazes de subsidiar a gestão dos resíduos sólidos no estado, contando com a validação do documento a partir da participação popular.

Cada estado tem seu plano de resíduos sólidos e esta é uma das razões que reforço a necessidade de cada proprietário de oficina buscar algum material para leitura na internet, necessário para entender um pouco mais deste assunto e preparar a oficina para não ser autuada.

Uma alternativa viável para as oficinas ficarem preparadas com um investimento baixo é a Certificação do Selo Verde do IQA (Instituto da Qualidade Automotiva). Como auditor do IQA indico esta certificação como um processo inicial para a oficina passar por esta fase que tem tirado o sono de muitos proprietários em decorrência das visitas que fiscais dos estados e prefeituras estão fazendo nas empresas do setor automotivo.

Felizmente ou infelizmente este é um processo que não tem mais volta e só resta a nós, donos de oficinas, buscarmos ajuda e apoio de entidades, como o IQA, para que a oficina atenda a legislação e não seja interditada.

Leis ambientais ainda são novidades para todos nós, mas como empresários temos que entender que o caminho é um só: buscar apoio nos sindicatos da categoria, no IQA e em empresas ou pessoas que entendam desta nova legislação e que estejam dispostas a ajudar o caminho de mudança que as oficinas estão sendo obrigadas a seguir.

Fonte Instituto de Qualidade Automotiva:  http://www.iqa.org.br/publico/

 

 

 

 

Fábio Moraes

CEO da empresa Ultracar, com 25 anos de experiência em gestão e administração de oficinas. Matemático, Analista de sistema e Administrador de empresas. Auditor do IQA, (Instituto de Qualidade Automotiva), consultor do IAA e consultor de várias oficinas do Brasil. Está viajando o Brasil inteiro neste ano de 2017 ministrando palestra com o tema “Oficina de sucesso é oficina rentável: transformando reparadores em empresários”.


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  • Sou fã de Carla Benchimol, acho que foi infeliz. O chumbo é um veneno, pendurado ao pescoço dependendo do tempo de exposição. Já perdemos um pintor devido ao chumbo nas tintas.

    • Bom dia Cialis,

      Também concordamos que o chumbo é um metal perigoso.
      Exatamente por esta situação que orientamos as oficinas a terem um local separado para o recolhimento (lugar na oficina específico e com identificação). Neste caso, especificamente, estamos falando do chumbo usado no balanceamento dos pneus, também muito usado nas oficinas mecânicas com o foco em alinhamento e balanceamento.
      Para as oficinas de funilaria e pintura os controles devem ser muito maiores.
      Realmente existe a possibilidade de contaminação pelo chumbo e outros resíduos gerados no processo de pintura em uma oficina. Neste caso, o principal é a oficina ter uma medicina do trabalho eficiente, que monitore regularmente os funcionários através de exames periódicos e também oriente sobre os equipamentos de segurança necessários. Além disso a oficina deve buscar orientações junto à contabilidade sobre como pagar a insalubridade. Estas duas condições são essenciais para que a oficina fique resguardada em relação a eventuais problemas futuros com os funcionários.
      Por fim, acreditamos que uma oficina que trabalha com pintura precisa ter uma estrutura mínima com cabine (própria para pintura automotiva ou até mesmo de alvenaria), porque a aplicação do primer, da tinta e do verniz, quando não bem aplicados, produzem muita contaminação do ambiente. Também devemos ter muito cuidado com o descarte dos lixos produzidos pelo processo de pintura (papel de mascaramento, fitas, lixas, entre outros), pois eles também possuem materiais prejudiciais à saúde.

      Espero que tenha ajudado. Obrigado pelo comentário!!

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